Com a atual crise política e econômica brasileira, os trabalhadores passam a viver no limite da tolerância, pois as empresas utilizam desse argumento para retirar ainda mais em suas negociações. As operadoras tomaram a frente ao não conceder o índice completo da inflação, mas compensam com abono e adiantamento de PPR.  Já as empresas do teleatendimento vieram com parcelamento do índice e abono compensatório.

Para piorar, a pauta do Congresso é totalmente desfavorável aos trabalhadores com projetos que abrem possibilidade de entrega do controle do pré-sal, abertura e alteração do modelo administrativo das estatais, alterações diretas na CLT, abertura de espaço para a empresa privada na condução/administração do sistema de saúde na aplicação de verbas públicas, etc. Com tanta notícia ruim, a única favorável é o destravamento do processo de regulamentação da profissão do teleatendente que finalmente foi encaminhado ao Senado.

E assim, o Brasil se divide. Uma parte da sociedade se apresenta contra um governo que apontou para o social  e foi atropelado pela crise internacional, piorada com a eleição de um dos mais conservadores Congressos que o país já teve. A explosão dos casos de corrupção (eternamente escondidos no passado), em conjunto com a ação do capital internacional comandando o fluxo dos recursos e provocando guerras cuja disputa, nos acende a luz para o nosso pré-sal.

Enquanto isso, o judiciário é chamado constantemente para definir/alterar ações de governo, através de um juiz de primeiro grau que desobedece a Lei. E o pior, com tudo sendo visto na TV. De forma legal ou ilegal. Com ou sem manipulação. Mas com provocação pelos grupos de mídia cuja origem, acesso e pensamento não são os mesmos do povo, pois sempre estiveram do lado dos patrões.

Por outro lado, também há a parte da sociedade que agrupa sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais organizados, alerta para o risco concreto de ruptura do modelo através de golpe, e levanta a bandeira na defesa da democracia. Mesmo tendo sido divulgadas diversas notícias para tentar intimidar o movimento.

Porém esse cenário causa apreensão e medo entre os trabalhadores. Mas a nossa força está na nossa realidade. Apesar de serem explorados, é o trabalhador que produz e leva o país nas costas. Com isso, fica impossível o SINTTEL-CE, a CUT e a FENATTEL fazerem de conta que nada estão vendo, pois os resultados interferem diretamente nas nossas negociações salariais. Prova é que, as negociações dos acordos das operadoras vieram até fevereiro/ 2016, quando a data base é setembro/2015. E assim, a agenda da FENATTEL alterada, pois ainda não se iniciaram as negociações da campanha salarial das prestadoras de serviços que estava prevista para 21 de março desse ano, só aconteceu em 7 de abril.

Infelizmente nossa categoria não é a única a passar por tantas dificuldades. Até os órgãos públicos passaram a utilizar do recurso de parcelamento nos reajustes. Ou seja, a união entre todos os trabalhadores é de fundamental importância, para debater como enfrentar essa batalha.

Coincidência ou não, diversos fatos que estão ocorrendo atualmente, tem espelho no que aconteceu em março de 1964. Por isso, nosso lado sempre será o da defesa da democracia e principalmente do TRABALHADOR. CONTRA O ARROXO SALARIAL, O DESEMPREGO E ALTOS PREÇOS.

 
 

 
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