“Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal”, como disse o Maluco Beleza, Raul Seixas, nos anos 70, as “tenebrosas transações” aconteciam e foram apontadas e cantadas por Chico Buarque, no mesmo período, mesmo sob censura da Ditadura. Quer dizer, censura para quem era contra. Acorrupção lançada no ar nos dias atuais acinzentam nossa realidade e no faz refletir. Há quem chegue a pensar em desistir de ser brasileiro. Há quem pense que a corrupção nunca existiu na história desse país.

Um pouco de esforço nos leva a tomar como referência um balanço conhecido dos acadêmicos e dos historiadores onde mostra a origem do patrimonialismo brasileiro: o livro de Raymundo Faoro, “O poder dos donos”. Lá se detalha o inicio das relações comerciais baixas levadas a cabo pelos agentes públicos, sob comando dos donos do poder. Que desde sempre, nunca foi o povo, os escravos, os trabalhadores livres, muito menos as mulheres. Desde aquele tempo as transações comerciais entre o público e o privado já aconteciam de forma explicita. Embora nem todos soubessem o que e como eram realizadas.

A parte que sempre coube ao povo e aos trabalhadores foi – e permanecerá caso aceitemos, com essa nossa passividade – é nossa mão de obra e nosso “lombo” em troca de migalhas. Jamais o acesso a justiça, a saúde, a educação, aos serviços públicos. Enquanto para os donos do poder tudo inclusive toda a administração pública para garantir seu poder. Para eles a eleição acontece para homologar o seu poder. E a história brasileira e mundial é repleta de fatos a demonstrar isto.

Tomar o poder foi tentado, até os anos 50 pelas nações. Hoje o poder é do capital, dos banqueiros, do mundo financeiro. A exploração não é mais política. Os países não têm mais poder, é o dinheiro quem manda. É cena ficar falando do “ditador coreano” e seu míssel. Todos os interesses são os dos banqueiros. São eles que dizem se o governo vai gastar, onde, como, quanto, com quem e para quem.

E assim, o setor telecom acompanha o nível da política econômica: patina lado a lado mais na decida que na possibilidade de se recuperar. O efeito da política econômica – inexistente – do governo Temer para o setor aumentou a dificuldade da Oi, durante o traumático processo de recuperação judicial, o que causa o aumento da terceirização e da precarização das condições de trabalho. Desde os trabalhadores das próprias operadoras, quanto os das prestadoras. Aumento de jornada, sem folga em final de semana, com redução da remuneração salarial em conjunto com assédio moral para cumprimento de metas absurdas e atender áreas quilometricamente abusivas são as frequentes reclamações registradas e enfrentadas pelo SINTTEL em todo o Estado.

Mesmo nestas circunstâncias, os trabalhadores passam pelas manifestações gestadas pelo movimento sindical e popular sem coragem de participar. Com medo de perder o emprego ruim e mal remunerado. É o preço do golpe pago por quem de nada usufruiu. Mas de nada adianta tentar “ser um sujeito normal” enquanto as “tenebrosas transações“ permanecem acontecendo. É preciso reação, ação, força, mas principalmente união.

 
 

 
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